ANTT oportunista

Casa arrombada, tranca de ferro

É… A velha máxima popular que dá título a este texto se repete com frequência industrial nesta Pindorama governada com leniência e preguiça pelos atuais e antigos governantes.

Se tornou necessário que um ônibus caísse em uma pirambeira, nas curvas da BR 282, nas imediações de Alfredo Wagner, cuja violência fariam Roberto Carlos reescrever a consagrada e jovemguardiana canção que fala nas curvas da estrada de Santos, para que as autoridades resolvessem aparecer, no afã claro de mostrar serviço e fingir que estão trabalhando em prol da população.

Após o lamentável e fatídico acidente que ceifou vidas preciosas da nossa gente – na verdade apenas mais um na estatística, eis que, ao fim e ao cabo, ficará tudo como dantes no quartel de Abrantes – quem vem a público agora, de forma oportunista, é a digna e operosa ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), a qual, para o mês de fevereiro, promete implantar um pomposo Núcleo de Prevenção e Redução de Acidentes, visando adaptar o sistema de operação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) aos protocolos de inspeção da ANTT. Na prática, isso significaria intensificar a fiscalização nas rodovias e nas rodoviárias (inclusive em terminais que não possuem postos da agência), combater transporte clandestino, fazer trabalhos de conscientização para uso de cinto de segurança e realizar vistorias em postos da PRF.

Promete a dita medida burocrática um roteiro de fiscalização que vai desde a checagem dos valores das passagens (se correspondem ao que a empresa informou à agência reguladora), passando por uma vistoria do ônibus, terminando na retirada de bagagens dos passageiros no destino final, quando usuários poderão fazer reclamações sobre extravio ou danos materiais. Caso os fiscais detectem alguma irregularidade, a empresa recebe um auto de infração e o veículo pode ficar retido no terminal até que ocorra o ajuste necessário no próprio local, a troca de motorista (caso ele tenha extrapolado sua carga horária) ou a substituição do veículo.

Mas isso já não existia? Não é o básico que a ANTT teria de fazer?

Vai funcionar? Lógico que não vai. Mais um cabide de empregos para mais fiscais, mais agentes administrativos para controlar os fiscais e por aí vai. A conta nós já sabemos de antemão a quem se destinará: a nós, pobres contribuintes da derrama.

Qual a solução? Primeiro o Estado de Santa Catarina recuperar o respeito e a representatividade política, forçando a Dona Dilma a promover a duplicação imediata, urgente e inadiável das nossas rodovias. Mais isso passa por políticos com credibilidade, material que anda escasso em nossos dias. Depois, aí sim, uma participação ativa da sociedade cobrando estas agências nacionais que fingem que fiscalizam, enquanto o povo brasileiro padece nos serviços que recebe, seja nos transportes, seja na telefonia, ou mesmo no prosaico fornecimento de água, remédios e energia elétrica. Ainda vai longe, principalmente na parte dos políticos…Pobre povo brasileiro.

 José Patrício Neves da Fontoura, advogado

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