Refis Estadual é alternativa para empresários quitarem as contas

Dentre as muitas obrigações das empresas, sem dúvida, uma das mais necessárias e preocupantes aos administradores é manter todas as contas em dia. Quem, por ventura, não está com o caixa em dia como deveria, pode encontrar meios de resolver a situação. Uma dessas alternativas é o Programa Catarinense de Recuperação Fiscal (Prefis). Após uma longa espera a Medida Provisória 212/2017 que anuncia essa novidade foi publicada em julho.

O Prefis não é um parcelamento, e sim um programa incentivador de pagamento à vista, alcançando o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) devido até o dia 31 de dezembro do ano passado. Nesse caso, conforme explica a advogada tributarista Karula Lara Corrêa, não há abatimento no valor do imposto, mas somente nos juros e na multa, desde que o tributo seja quitado até último mês deste ano. “Para pagamento em agosto, por exemplo, há redução de 90% nos juros e na multa, sendo progressivamente reduzido o percentual de descontos, ou seja, 80% em setembro, 75% em outubro, 70% em novembro e, por fim, 60% para quem quitar o ICMS em aberto até dezembro”, explica. A especialista destaca ainda que o benefício é válido somente para o ICMS, não contemplando Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) e Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) em atraso.

Apesar de muito aguardado por empresários de todo o Estado, o Prefis não estende o prazo para pagamento, além de vedar o parcelamento dos débitos. “Apesar dos graciosos descontos nos juros e multa, o contribuinte catarinense, cujos negócios sofrem com a economia parada, tem um problema pontual, chamado fluxo de caixa. Com um prazo de pagamento tão curto, o Estado prioriza o fechamento de suas contas ao término do ano fiscal, em detrimento do contribuinte, que certamente esperava um fôlego maior para poder saldar os débitos”, avalia a advogada.

Comparado ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), publicado em maio e que alcança tributos federais, concedendo descontos e prazos para pagamento que alcançam 15 anos, o Prefis pode ser considerado tímido. Todavia, alguns setores contam com diferenciais no programa. É o caso das telecomunicações e empresas de transporte rodoviário de cargas que terão anistia dos juros e multa dos tributos devidos até junho de 2016. Perdoada a multa e juros, o ICMS remanescente poderá ser pago em até cinco anos.

Como o Prefis exige o pagamento à vista para que as reduções possam ser concedidas, e o PERT requer o pagamento de 7,5% do débito em 2017 para posterior aproveitamento do desconto e parcelamento em 15 anos, o contribuinte que possui ICMS e tributos federais em atraso deve ter cautela, estudando com cuidado para que possa fazer a melhor opção. “Deve ser estudado com cautela o parcelamento a ser aderido, se um ou ambos, contando sempre com uma assessoria jurídica e contábil de sua confiança, para não errar na escolha”, conclui a especialista.

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