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Saúde em crise

O assunto do momento na área médica é, sem dúvida alguma, a venda do hospital de um dos maiores planos de saúde do Brasil, em São José. Tal negociação teoricamente servirá para amenizar um passivo de números altíssimos. E é essa dívida que preocupa os 1,6 mil médicos cooperados e assusta ainda mais os quase 250 mil usuários que utilizam diariamente clínicas e hospitais da região.

Autorizada no último dia 14, via Assembleia Geral, a venda do imóvel, que possui 144 leitos, deverá ser realizada ao governo estadual e contará com o financiamento do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).

Como um baque, esse acontecimento trouxe, de imediato, muita insegurança sobre o futuro da já enfraquecida saúde nacional. Qual será a consequência para quem dependia deste serviço? Como ficarão as já superlotadas cadeiras dos precários hospitais da Grande Florianópolis?

Para quem usufrui de exames, consultas, internações e cirurgias, a pergunta é se, e de que forma os benefícios serão afetados. Para médicos, clínicas, laboratórios e hospitais, que também mantém o plano de saúde, resta o receio iminente da famigerada falência, o que faria com que seus cooperados arcassem diretamente com os prejuízos dela resultantes, até o limite do débito.

Na lista dos prejudicados, as clínicas e os médicos, consequentemente, estão no topo, junto com os usuários, que ocupam o primeiro lugar. Muitas vezes os planos de saúde, para diminuírem o pagamento às clínicas, não aprovam exames e consultas que são de extrema importância e repassam valores divergentes dos apresentados ao conveniado para pagamento das coparticipações, chamado de “glosa”.

Nessa conta, é fácil perceber quem sai perdendo. Um exemplo que, com certeza, alguém já escutou de um amigo ou familiar, diz respeito ao valor que os planos de saúde pagam para os médicos. Enquanto uma consulta particular pode custar mais de R$ 350,00, o mesmo procedimento feito pelo convênio terá um retorno de, em média, R$ 30,00 ao médico. Esse é um dos motivos para os dermatologistas, neurologistas, ginecologistas e tantas outras especialidades médicas não estarem mais atendendo pelos planos de saúde.

Por mais que a venda já esteja acertada, essa novela parece estar longe do final. O mistério que permanece é o quanto essa “lambança financeira” afetará o trabalho e o bolso dos cooperados e usuários da rede, que são os que costumam invariavelmente pagar a conta.

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